Sei que serei esquecido como um velho livro em cima da estante.
As cinzas do tempo me protegem do frio.
O escuro serve-me de pranto.
O tempo escorre em minhas páginas.
O relógio marca um novo dia.
Será que permaneço?
Olho um foco de luz que pulsa...
Pulsa...
Pulsa...
Pulsa...
A nostalgia toma conta das palavras, apesar de estar aqui.
Quilos são cunhados em gramas.
O sorriso amarelo e o olhar, frio e cansado, refletem marcas do passado.
Marcas deixadas por vocês.
Sicatrizes que são formas irreversíveis de nossas virtudes, experiências e feitos.
Traços destinados a marcar nosso presente e futuro.
Mas que presente?
O tempo não parou nesse instante.
Só acredito em passado e futuro.
O presente é uma forma de segurança ou alívio?
Não sei...
Será o presente uma fuga?
“O passado morreu! Eu vivo o presente! O futuro a deus pertence!”
Besteira!
O passado pode te matar.
O futuro te enlouquecer.
O compasso do relógio esta devagar.
Quase parou.
Ainda estou preso a essa estante.
Isto é pra sempre?
(Lelê)
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