quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Instante

E então, quando menos se espera já esperamos demais e o momento passou... O que vale mais: a dor, o medo, o momento ou a verdade?
Há nessa escolha qualquer sentimento que se confunda com orgulho, luxuria ou vaidade?
Estive pensando em procurar um remédio eficaz pra dor n’alma, algo que alivie e salve sem respingar em momentos de paz, em momentos de felicidade, ou em lembranças douradas que se vão junto ao instante em que perdemos a coragem, em que faltamos com nosso maior valor, com o princípio preponderante em nossas escolhas.
Lealdade tem a ver com o espírito e essencialmente com uma questão de vontade...
Mas sozinha não basta, não é a vontade unilateral o fator determinante, há sempre um sussurro sem graça, uma voz que não cala e que, apesar de inaudível, tem força gigante capaz de sobrepor o instante que se perde.
Os tropeços, em cima da estante viram omissão rabiscada, que mais cedo ou mais tarde depositarão a conta de maneira sutil, sem ser elegante e mostrando que apesar de deixados de lado, são onipresentes.

(Rafinha)

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Ad Aeternum

Passado o período de negação é hora de voltar a funcionar dentro na normalidade, fruto de qualquer batalha, merecimento em qualquer ocasião. A inoperância não pode ser o emblema de nossas vidas, ainda que sejamos empurrados à falta de ação, o estímulo faz parte de mim, está dentro de você e não há nesse mundo magia que possa fazer-me deixar de correr. A doença dos dias de fúria cega multidões que caminham ao encontro do nada, a luta desesperada pelo fracasso garante a toada do caminho sem fim, riam de tantos quantos não consigam chegar e poderá compreender que quando a hora não passa não há tormento que tome o lugar.
Quem te ensinou a ver o mundo com esses olhos?


(Rafinha)

segunda-feira, 2 de maio de 2011

"Piada Liberal"

Os caminhos que seguem por vias opostas nessa “doce solidão”, sonhos esquecidos só podem ser algo bem distinto já que sonhos, sonhos são. Carrego esta certeza daquilo que posso fazer pro bem, do esforço que vale por perder alguns dias, atar ou desatar, ter meu norte sempre cerrado, naquilo que sou: o melhor, um ponto sem nó.
Já cansei de instituir o meu senso de legalidade, reformar e cair com a força do impulso e me ver arrastado de dentro, de perto, no olho do furacão. A determinação em excesso de zelo, repele a certeza, potencializa a frustração. E se nada está bom, como posso chegar a ser o melhor, me tornar o maior?
O imponderável também faz parte da vida e a surpresa do dia está diretamente relacionada à força da ira que posso despender e reverter a meu favor, controlar o que inspiro de ruim e devolver ao mundo aquilo que tenho de bom, não há vontade capaz de ser maior, não há nada que vá além do amor.
"Louros a quem arriscou."


(Rafinha)

terça-feira, 12 de abril de 2011

Areias

Pobre daquele que não pode estar aqui pra ver a vida sorrir, vai lá que o tempo hoje me leva nesse vai e vem tranqüilo, sem pressa que a verdade há de chegar até onde não podemos prever. Não sei desperdiçar os dias esperando acontecer, a sorte anda ao lado da razão daqueles que a carregam junto ao coração, posso ser de não vencer, pode ser de não chegar, o bonito é sempre acordar e até onde for eu vou, sem me preocupar.

(Rafinha)

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Elo

Será que existe algum elo que possa passar sem ser percebido enquanto importância? Ou tudo que importa se sente, se aprende, se integra? Peregrino por estes corredores de escuridão absoluta, não porque seja realmente obscuro, mas acredito que seja por falta de resposta que sirva, de objetividade que cumpra o papel de ser positiva.
Não há a mínima intenção em utilizar-me de metalinguagem, de pseudo-conhecimento, o fato é que não existe tarefa mais penosa do que esta que me propus a desempenhar antes dos olhos estarem fechados, são trilhas e mais trilhas de puro abandono, de pessoas sem sono mas que parecem nunca acordar.
Vale então a pena Winston, deixar de ser humano? Mesmo que seja por alguns segundos?


(Rafinha)

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

TIC TAC

Tento manter os olhos abertos e não deixar o cansaço bater, nem sempre é fácil, não finjo que gosto desse inimigo sem rosto que visa poupar o esforço na ânsia de não me deixar vencer. Não passa, não chega, não há o que baste para satisfazer esse meu ser, convicto, aflito, ativo, buscando espaço em um tempo restrito e com um poder infinito em salvar o verbo de escapar antes da hora, de sair fora de ritmo. O foco e a disciplina são partes constantes dessa extenuante rotina, quem diria, me vejo no espelho palitando os meus dias, engolindo morfina, transpirando adrenalina...

(Rafinha)

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

São Lourenço

Eu caminhava naquela trilha, meio sem vontade jogando conversa fora, palavras que ficavam pelo ar, perguntas, pensamentos, dedos entrelaçados, gelo derretendo, e os minutos passando.
Quanto tempo ainda temos?
Alguns minutos mais e eu só tenho a agradecer.
Meus sonhos, planos, enganos, não sei nem dizer quais são, me perdi naquela sensação de dever cumprido, a reunião, os fogos, os jogos, quantos estavam e não mais estão comigo, e eu ali vendo nos seus olhos, pude perceber que nesse momento já não há mais perigo...


(Rafinha)